Plano 2026-2030 mantém política de dividendos, mas elimina pagamentos extraordinários e reduz investimentos
A Petrobras (PETR4) projeta distribuir entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões em dividendos ordinários nos próximos cinco anos, conforme detalhado em seu recém-aprovado Plano de Negócios 2026-2030.
O documento, que mantém a política atual de remuneração aos acionistas, não prevê dividendos extraordinários, sinalizando uma possível redução nos proventos em relação ao plano anterior, que contemplava até US$ 55 bilhões em dividendos ordinários e até US$ 10 bilhões em extraordinários.
Contexto e Mudanças na Política de Dividendos
A decisão da Petrobras (PETR4) reflete um cenário de maior cautela diante da volatilidade do mercado internacional de petróleo. O CFO da companhia, Fernando Melgarejo, já havia antecipado que a queda nos preços da commodity limitaria a possibilidade de pagamentos extraordinários em 2025. O barril do Brent, que há um ano era cotado a US$ 83, atualmente gira em torno de US$ 63, e a estatal trabalha com projeções conservadoras para os próximos anos: US$ 63 em 2026 e US$ 70 entre 2027 e 2030.
Impacto nos Investimentos e Eficiência Operacional
O novo plano de negócios prevê uma geração de caixa operacional de até US$ 220 bilhões no período, com alocação estratégica dos recursos: US$ 85-95 bilhões para investimentos, US$ 45-50 bilhões para dividendos ordinários, US$ 10-15 bilhões para novos projetos, US$ 45-50 bilhões para arrendamentos, até US$ 5 bilhões para amortização líquida e US$ 5-10 bilhões para despesas financeiras. A Petrobras também anunciou uma redução de 1,8% nos investimentos previstos, totalizando US$ 109 bilhões, e uma meta de economia de US$ 12 bilhões por meio da redução de custos operacionais em 8,5% até 2030.
Governança e Sustentabilidade Financeira
A companhia reforça o compromisso com a governança e a otimização de gastos, buscando manter a geração de valor e a solidez da estrutura de capital. A política de remuneração aos acionistas permanece inalterada: prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre sempre que a dívida bruta estiver abaixo do teto de US$ 75 bilhões, com convergência para US$ 65 bilhões. As projeções indicam que a dívida bruta deve atingir esse patamar já em 2028, reforçando a resiliência financeira da estatal.
Perspectivas para o Investidor
A ausência de dividendos extraordinários e a redução dos investimentos refletem uma postura mais conservadora da Petrobras, alinhada ao cenário internacional desafiador. Para o investidor, o foco deve estar na sustentabilidade dos proventos ordinários e na capacidade da companhia de manter sua política de remuneração mesmo diante das oscilações do mercado de petróleo.
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