Farmacêutica dinamarquesa enfrenta pressão de preços e queda no lucro projetado para 2026, impactando mercado global
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, reconhecida globalmente pela fabricação de canetas para emagrecimento, enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória recente.
Após revisar para baixo suas projeções de vendas para os próximos trimestres, a companhia viu suas ações despencarem nesta quarta-feira (4), refletindo a crescente apreensão dos investidores diante do novo cenário.
No início do pregão, os papéis da Novo Nordisk registraram queda de 17% na bolsa de Copenhague, sendo negociados a 305 coroas dinamarquesas (aproximadamente R$ 252). O movimento de baixa também se repetiu na NYSE, nos Estados Unidos, onde as ações recuaram 15%, cotadas próximas a US$ 50. Esse forte ajuste evidencia a sensibilidade do mercado a mudanças nas expectativas de crescimento e rentabilidade da empresa.
O estopim para a reação negativa foi o relatório divulgado na véspera, no qual a Novo Nordisk projetou uma queda de até 13% no lucro acumulado de 2026 em relação a 2025. O principal fator apontado para esse recuo é a decisão do governo norte-americano, sob liderança de Donald Trump, de impor uma redução significativa nos preços dos medicamentos. O presidente-executivo da companhia, Mike Doustdar, destacou que 2026 será um ano de "pressão de preços sem precedentes", superando em muito a expectativa do mercado, que previa um corte de apenas 2%. O impacto imediato foi a perda de quase US$ 50 bilhões em valor de mercado.
Apesar do choque, Doustdar ressaltou que a estratégia de tornar os medicamentos GLP-1 mais acessíveis pode gerar benefícios de longo prazo, ampliando o alcance dos tratamentos para milhões de pacientes. No entanto, ele reconhece que, no curto prazo, a empresa enfrentará desafios consideráveis para equilibrar rentabilidade e expansão de mercado.
A crise não é exatamente uma novidade para a Novo Nordisk. Em 2025, as ações da companhia já haviam acumulado uma queda de cerca de 50%, o pior desempenho de sua história segundo dados da bolsa de Copenhague. Ainda assim, a liderança da empresa prefere enxergar o momento como uma fase de correção e fortalecimento, apostando na resiliência construída diante das adversidades recentes.
Atualmente, o valor de mercado da Novo Nordisk está em US$ 171 bilhões, cifra que representa apenas uma fração do valuation de sua principal concorrente no segmento de medicamentos para emagrecimento, a norte-americana Eli Lilly, avaliada em US$ 948 bilhões. O cenário reforça a necessidade de adaptação estratégica e inovação para que a farmacêutica dinamarquesa recupere competitividade e confiança dos investidores.
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