Lucro líquido de R$186 mi no 4T25 destaca nova fase, apesar de queda no Ebitda e receita
A Natura (NATU3) surpreendeu o mercado ao anunciar uma reviravolta em seus resultados do quarto trimestre de 2025, revertendo o prejuízo do ano anterior e consolidando uma nova fase após uma profunda reorganização societária.
O lucro líquido das operações continuadas atingiu R$ 186 milhões, um salto expressivo frente à perda de R$ 227 milhões registrada no mesmo período de 2024. Esse desempenho reflete não apenas ajustes internos, mas também decisões estratégicas de desinvestimento, como a venda das operações da Avon em mercados internacionais.
O Ebitda recorrente, porém, apresentou retração significativa, somando R$ 978 milhões no trimestre, bem abaixo dos R$ 3,13 bilhões de um ano antes. Essa queda evidencia os desafios enfrentados pela companhia, especialmente diante da desaceleração do consumo no Brasil e das turbulências na integração das marcas na Argentina. Além disso, a valorização do real frente às moedas dos mercados hispânicos e o impacto da hiperinflação argentina pressionaram ainda mais a receita líquida, que recuou 12,1% e fechou o trimestre em R$ 6,19 bilhões.
A administração da Natura destacou que 2025 marcou a conclusão da simplificação do grupo, com a venda de operações da Avon em diferentes regiões e a otimização da estrutura da holding após a fusão com a Natura Cosméticos. O retorno das ações NATU3 ao mercado simboliza essa nova etapa, em que a empresa busca maior eficiência e foco em mercados estratégicos.
No campo financeiro, a redução do endividamento líquido para R$ 3,5 bilhões ao final de 2025, uma queda de R$ 567 milhões em relação ao trimestre anterior, foi impulsionada pela forte geração de caixa sazonal, típica do período de festas e datas promocionais. Esse movimento reforça a capacidade da Natura de ajustar sua estrutura de capital em meio a um cenário desafiador.
Apesar dos avanços recentes, o histórico de retorno ao acionista ainda inspira cautela. Um investimento de R$ 1 mil em NATU3 há dez anos, mesmo com reinvestimento de dividendos, teria se transformado em apenas R$ 703,90, enquanto o Ibovespa (IBOV) teria proporcionado um retorno muito superior no mesmo intervalo. Esse dado ressalta a importância de uma análise criteriosa para quem avalia exposição ao papel.
Para investidores que desejam acompanhar de perto a evolução dos indicadores financeiros da Natura e comparar seu desempenho com outras empresas do setor, a ferramenta de Comparador de Ações da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada e estratégica para embasar decisões de investimento.