Habib’s e Ragazzo enfrentam crise financeira com dívida de R$ 312 milhões e buscam negociar credores
O cenário de recuperação judicial no Brasil pode ganhar um novo capítulo a qualquer momento, com o Grupo Gennius – controlador das marcas Habib’s e Ragazzo – lutando para evitar medidas mais drásticas diante de uma dívida que já ultrapassa R$ 312 milhões. A recente decisão da Justiça de São Paulo concedeu à companhia uma proteção temporária, suspendendo a obrigação de pagamento dos débitos por 60 dias e liberando R$ 3,3 milhões que estavam bloqueados junto ao Banco Daycoval. Essa medida oferece um fôlego financeiro crucial para o grupo, que busca negociar com credores e evitar o ingresso formal em recuperação judicial.
Contexto e impacto no setor de alimentação
O Habib’s, principal marca do grupo, consolidou-se como uma das maiores redes de fast food do país, reconhecida por preços acessíveis e presença em diversos estados. O Ragazzo, focado em culinária italiana, complementa o portfólio, e em algumas localidades, as duas marcas operam de forma integrada. No entanto, a crise financeira já afeta operações: há relatos de inadimplência em aluguéis e até pedidos de despejo, como ocorreu em São Bernardo do Campo.
Análise das causas da crise
Segundo o próprio Grupo Gennius, a pandemia foi o principal catalisador da crise, alterando profundamente o comportamento do consumidor e esvaziando grandes centros urbanos, onde a rede concentra boa parte de suas lojas. Além disso, a ascensão das plataformas de delivery mudou a dinâmica do setor, levando consumidores a priorizarem a comodidade das entregas em detrimento das visitas às lojas físicas. Outro fator relevante foi a escalada da taxa de juros, que saltou de 4% para 15% em poucos meses, encarecendo o custo de captação e dificultando a rolagem das dívidas.
Tendências e projeções para o mercado
O caso do Grupo Gennius reflete uma tendência preocupante: o aumento do número de grandes empresas brasileiras recorrendo à recuperação judicial. Entre as companhias listadas na bolsa, já são mais de 20 em situação semelhante, incluindo nomes como Americanas, Bombril, Coteminas e Toky. O movimento evidencia os desafios enfrentados por empresas tradicionais diante de mudanças estruturais no consumo, pressões macroeconômicas e transformações tecnológicas.
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