Crise após liquidação do Banco Master afeta liquidez e ações da Fictor Alimentos caem 28% na B3
Contexto e impacto no mercado
O Grupo Fictor, conhecido por sua atuação nos setores financeiro, de infraestrutura e alimentos, além de ser patrocinador do Palmeiras, entrou com pedido de recuperação judicial neste domingo (1º), buscando reestruturar cerca de R$ 4 bilhões em dívidas. O movimento ocorre em meio a uma crise desencadeada pela liquidação do Banco Master, episódio que abalou a confiança do mercado e afetou diretamente a liquidez das operações do grupo.
A Fictor, que opera por meio de empresas como Fictor Pay, Fictor Energia e Fictor Alimentos (FICT3), vinha tentando se reposicionar após apresentar, em novembro de 2025, uma proposta de aquisição do Banco Master em parceria com investidores árabes. O plano previa um aporte de R$ 3 bilhões para fortalecer o capital do banco, mas a liquidação do Master pelo Banco Central, um dia após a proposta, agravou a situação financeira do grupo. Desde então, clientes da Fictor relataram atrasos nos pagamentos de investimentos, sinalizando dificuldades de caixa.
Atribuição da crise e medidas adotadas
No pedido de recuperação judicial, a Fictor atribuiu a crise à repercussão negativa da liquidação do Master, que teria prejudicado sua reputação e, consequentemente, sua liquidez. Para tentar contornar o cenário, o grupo implementou cortes em sua estrutura física e no quadro de funcionários, mas as medidas não foram suficientes para evitar o pedido formal de proteção judicial. O objetivo declarado é equilibrar as operações e garantir o pagamento dos compromissos financeiros, especialmente com os sócios participantes, que compõem a maior parte dos credores.
Negociação e preservação de empregos
A Fictor destacou que pretende honrar suas dívidas sem deságio, mas busca renegociar prazos e condições de pagamento para preservar suas operações e mais de 10 mil empregos diretos e indiretos. O grupo solicitou à Justiça a suspensão de execuções e bloqueios por 180 dias, criando um ambiente de negociação estruturada e isonômica para todos os credores.
Desempenho das ações e perspectivas
Apesar da tentativa de blindar as subsidiárias do impacto direto do processo, o mercado reagiu de forma negativa. As ações da Fictor Alimentos (FICT3), principal braço industrial do grupo, despencaram 28,07% na B3 nesta segunda-feira (2), sendo cotadas a R$ 0,82 ao meio-dia. A empresa, com unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro, é responsável por cerca de 3,5 mil empregos diretos e outros 10 mil indiretos, o que reforça a importância de uma solução sustentável para o grupo.
Análise e projeção
O caso Fictor evidencia como crises reputacionais e eventos sistêmicos podem rapidamente comprometer a saúde financeira de conglomerados diversificados. A busca por recuperação judicial, embora represente um respiro temporário, coloca à prova a capacidade de reestruturação e renegociação do grupo diante de credores e do mercado. Investidores e analistas devem acompanhar de perto os próximos desdobramentos, especialmente quanto à preservação de empregos e à manutenção das operações industriais.
Para quem deseja monitorar o desempenho das ações da Fictor Alimentos e de outras empresas impactadas por eventos de mercado, a ferramenta de acompanhamento de Ações da AUVP Analítica oferece dados atualizados, gráficos e indicadores fundamentais para decisões mais informadas.