
A Ford Motor Company oficializou seu retorno à Fórmula 1 após mais de duas décadas fora do grid, em um movimento que ref
A Ford Motor Company oficializou seu retorno à Fórmula 1 após mais de duas décadas fora do grid, em um movimento que reforça a ligação histórica da montadora com o automobilismo. A volta ocorrerá a partir da temporada de 2026, por meio de uma parceria técnica com a Red Bull Racing, dentro do novo regulamento de motores da categoria.
Retorno estratégico e legado na Fórmula 1
A relação da Ford com as corridas antecede até mesmo sua fundação. A empresa nasceu em 1903, após Henry Ford conquistar notoriedade ao vencer uma prova automobilística em 1901, episódio que ajudou a atrair investidores e viabilizar a criação da montadora. Desde então, a marca manteve presença constante em competições, especialmente na Fórmula 1. A Ford é a terceira fabricante de motores mais vitoriosa da história da F1, com 176 vitórias em grandes prêmios, atrás apenas de Ferrari e Mercedes. Sua estreia como fornecedora ocorreu em 1967, em parceria com a Cosworth, quando apresentou um motor que se tornaria um dos mais bem-sucedidos da categoria. Entre 1967 e 1983, esse propulsor acumulou 155 vitórias, 12 títulos de pilotos e 10 campeonatos de construtores. A montadora permaneceu presente na F1 ao longo das décadas seguintes e forneceu, por exemplo, o motor usado por Michael Schumacher em seu primeiro título mundial, em 1994. A última vitória de um carro equipado com motor Ford ocorreu em abril de 2003, com Giancarlo Fisichella, no Grande Prêmio do Brasil. Desde então, a empresa esteve ausente da categoria até a decisão de retornar.
Novo regulamento impulsiona inovação
O retorno da Ford está diretamente ligado às mudanças técnicas previstas para 2026. Os novos carros serão menores e mais leves, com maior dependência de energia elétrica e uso de combustíveis sustentáveis. A montadora avalia que esse ambiente cria condições favoráveis para o desenvolvimento de tecnologias alinhadas à transição da indústria automotiva. Segundo Will Ford, gerente-geral da Ford Performance, a Fórmula 1 representa o ambiente mais exigente possível para testar soluções híbridas de alto desempenho. A expectativa é que os avanços obtidos nas pistas sejam incorporados aos veículos de produção da marca ao longo do tempo.
Transferência de tecnologia como diferencial competitivo
O presidente do conselho da Ford e bisneto do fundador, Bill Ford, destaca que a principal motivação do retorno está na transferência de tecnologia, especialmente nas áreas de motores e aerodinâmica. Experiências adquiridas em diferentes modalidades do automobilismo costumam gerar aprendizados aplicáveis aos carros vendidos ao público. Embora nem todas as lições sejam diretamente transferíveis entre categorias, a Fórmula 1 oferece um laboratório único para inovação em eficiência, desempenho e durabilidade.
Parceria técnica com a Red Bull: além do marketing
A aliança entre Ford e Red Bull vai muito além da exposição de marca. Engenheiros da Ford atuam diretamente no centro de produção da Red Bull Powertrains, em Milton Keynes, na Inglaterra, além de equipes baseadas nos Estados Unidos. A montadora contribui com ferramentas, softwares e tecnologias de manufatura, como impressão 3D, acelerando o desenvolvimento de componentes do novo propulsor. O envolvimento direto da Ford no desenvolvimento dos motores reforça o compromisso com a inovação e responde às críticas de concorrentes sobre parcerias meramente promocionais.
Crescimento da rivalidade americana na F1
O retorno da Ford à Fórmula 1 coincide com a entrada da Cadillac, marca da General Motors, prevista para 2029. Esse movimento intensifica a rivalidade entre fabricantes norte-americanos no cenário global do automobilismo. Até lá, a Ford aposta que sua parceria com a Red Bull permitirá consolidar presença técnica e competitiva na categoria, marcando um novo capítulo de uma relação que acompanha a história da empresa desde sua origem.
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