Suspensão de tarifa de 40% beneficia carne bovina e café, com impacto positivo em frigoríficos MBRF3, JBSS32 e BEEF3
O agronegócio brasileiro, reconhecido como a espinha dorsal da economia nacional, ganhou novo fôlego após a decisão do governo dos Estados Unidos de suspender a tarifa de 40% sobre produtos como carne bovina e café. A medida, anunciada em novembro de 2025, representa um alívio significativo para exportadores nacionais e reforça a competitividade do Brasil no cenário global.
Impacto imediato no mercado do boi gordo
Segundo análise de Jean Miranda, especialista em commodities do BTG Pactual, a retirada da tarifa americana traz benefícios mais evidentes para o mercado do boi gordo. A expectativa é de aumento na demanda e nas exportações de carne bovina, já que os Estados Unidos vinham ampliando suas compras e, até maio, figuravam como o segundo maior destino da carne brasileira. Esse movimento tende a fortalecer a cadeia produtiva e impulsionar os frigoríficos nacionais.
No entanto, Miranda pondera que o potencial de crescimento das exportações para os EUA, embora positivo, não deve ser suficiente para provocar uma escalada contínua nos preços do boi gordo. O foco do mercado, no curto prazo, está voltado para a investigação de salvaguarda conduzida pela China, principal compradora da carne bovina brasileira. Dependendo do desfecho, o setor pode enfrentar novas cotas ou tarifas, o que traria desafios adicionais para os exportadores.
Desempenho dos frigoríficos e ajustes no setor
Enquanto o mercado global se ajusta à nova dinâmica, as ações dos frigoríficos brasileiros apresentam desempenho misto. Destaque para MBRF (MBRF3) e JBS (JBSS32), que registraram valorizações expressivas de 33% e 14%, respectivamente, nos últimos 30 dias. Por outro lado, Minerva Foods (BEEF3) recuou 11%, refletindo a volatilidade e as incertezas do setor diante das mudanças no cenário internacional.
Café: impactos menos diretos e volatilidade à vista
No caso do café, os efeitos da suspensão da tarifa são menos imediatos e mais complexos. Apesar das expectativas de que a medida pudesse baratear o produto para o consumidor final, o mercado futuro da commodity já vinha operando em tendência de baixa. Antes mesmo do anúncio oficial, rumores sobre a retirada das tarifas provocaram quedas de 3% nos contratos futuros em Nova York, seguidos por mais 2% após a confirmação.
A lógica por trás desse movimento está na dinâmica dos contratos futuros, que perdem parte da urgência de compra com o restabelecimento do fluxo físico da commodity. Com a questão tarifária equacionada, o foco do mercado volta-se para fatores climáticos no Brasil, maior produtor mundial de café arábica. A regularidade das chuvas até abril será determinante para a qualidade e o volume da próxima safra, especialmente após um outubro marcado por estresse hídrico em regiões produtoras como o Sul de Minas Gerais.
Perspectivas e desafios para o agronegócio
O cenário para o agronegócio brasileiro segue promissor, mas não isento de riscos. Enquanto a carne bovina se beneficia de uma demanda externa aquecida, o café enfrenta um caminho de incertezas climáticas e volatilidade de preços até a próxima colheita. Investidores e produtores devem manter atenção redobrada aos desdobramentos internacionais e às condições do clima, fatores que seguirão ditando o ritmo do setor nos próximos meses.
Para quem deseja acompanhar de perto o desempenho das principais empresas do agronegócio e comparar indicadores fundamentais do setor, a ferramenta de Comparador de Ações da AUVP Analítica oferece uma análise detalhada e atualizada, auxiliando na tomada de decisões estratégicas.