Decisão reflete desafios financeiros e estratégicos da Eternit, impactando desempenho e confiança dos investidores
O Grupo Eternit (ETER3) enfrenta um novo capítulo em sua trajetória no mercado brasileiro, ao anunciar a descontinuidade da operação de telhas de concreto, conduzida por sua controlada Tégula S.A.
A decisão, tomada pelo conselho de administração nesta terça-feira (16), marca o encerramento de uma das atividades mais tradicionais do grupo, que há mais de 45 anos liderava o segmento por meio da Tégula, reconhecida como a maior fabricante nacional do setor.
Contexto e desafios recentes
Desde o fim do processo de recuperação judicial, em agosto de 2024, as ações da Eternit (ETER3) acumulam queda de 35%, refletindo o ceticismo do mercado quanto à capacidade de recuperação e geração de valor da companhia. Apesar de já ter figurado entre as preferidas de grandes investidores, como Luiz Barsi Filho, a empresa não conseguiu reconquistar a confiança dos acionistas, mesmo após superar um dos períodos mais turbulentos de sua história.
O impacto da decisão
A descontinuidade da operação de telhas de concreto é resultado direto do desempenho operacional aquém do esperado. Segundo Carisa Cristal, diretora financeira e de relações com investidores, o segmento vinha apresentando volumes de vendas e resultados deficitários, tornando-se insustentável do ponto de vista econômico-operacional. A medida faz parte de uma revisão estratégica do portfólio, com foco em negócios mais alinhados à rentabilidade e eficiência.
Mudanças estruturais e legado
O principal revés da Eternit nos últimos anos foi a proibição do amianto, classificado como cancerígeno em 2017, o que impactou profundamente suas linhas de produção e forçou a companhia a buscar alternativas. A Tégula, apesar de sua relevância histórica, não conseguiu compensar as perdas e acabou sendo afetada pelo novo direcionamento estratégico.
Análise de desempenho e perspectivas
O histórico recente da ETER3 ilustra bem os desafios enfrentados: um investimento de R$ 1 mil em ações da empresa há dez anos teria se transformado em apenas R$ 397,80, mesmo considerando o reinvestimento de dividendos. No mesmo período, o Ibovespa (IBOV) teria proporcionado um retorno de R$ 3.522,50, evidenciando o descompasso entre a performance da Eternit e o mercado.
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