Bradesco BBI destaca potencial de reprecificação dos papéis em cenário de juros em queda e valuations descontados
O mercado imobiliário brasileiro volta a ganhar destaque com o potencial de destravamento de valor em ativos estratégicos das gigantes Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3). Segundo análise recente do Bradesco BBI, as torres corporativas dessas empresas podem ser a chave para uma reprecificação relevante de seus papéis na bolsa, especialmente em um cenário de juros em queda e valuations descontados.
Contexto e ativos em foco
A Cyrela, uma das líderes do setor, possui a Pininfarina Corporate Tower, que representa cerca de 6% do valor de mercado da companhia. O ativo, totalmente locado ao Nubank e situado em uma região de alta demanda corporativa, é visto como candidato natural a uma venda no curto prazo. Essa possibilidade de monetização pode destravar valor significativo para os acionistas, reforçando a atratividade do papel em meio à busca por ativos resilientes.
Já a Eztec, tradicionalmente reconhecida pela solidez financeira e disciplina operacional, tem nas Esther Towers um potencial ainda mais expressivo. A venda desse ativo poderia representar até 19% do valor de mercado da companhia, segundo estimativas do mercado. No entanto, há um entrave relevante: enquanto a gestão da Eztec espera negociar as torres por R$ 1,9 bilhão, o consenso de mercado gira em torno de R$ 1,5 bilhão. Essa diferença de R$ 400 milhões pode adiar a concretização do negócio, exigindo maior alinhamento entre expectativas e realidade de mercado.
Análise e recomendações
Os analistas do Bradesco BBI, Bruno Mendonça, Pedro Lobato e Herman Lee, ressaltam que, embora o destravamento de valor seja um catalisador importante, não recomendam a compra das ações apenas com base na expectativa de venda desses ativos. O banco mantém recomendação de compra para Cyrela, com preço-alvo de R$ 36, e posição neutra para Eztec, com preço-alvo de R$ 17 ao final de 2027. O racional por trás dessas recomendações está na combinação de valuations descontados, sensibilidade ao ciclo de corte de juros e o potencial de eventos de monetização, tornando as teses pouco atraentes para posições vendidas.
Projeções e impacto para investidores
O movimento de venda de ativos corporativos pode redefinir o perfil de risco e retorno dessas empresas, especialmente em um ambiente de maior apetite por ativos imobiliários. Para o investidor atento, acompanhar o desdobramento dessas negociações é fundamental para identificar oportunidades e ajustar estratégias diante de possíveis reprecificações.
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