Medidas incluem encerramento de subsidiária e troca no comando financeiro para focar no mercado doméstico
Cosan (CSAN3) anuncia medidas para simplificar operação e recuperar confiança do mercado
A Cosan (CSAN3) , uma das empresas mais endividadas da bolsa de valores brasileira, anunciou uma série de medidas estratégicas para simplificar sua operação e tentar recuperar a confiança dos investidores. Entre as principais decisões, está a retirada dos ADRs negociados na Bolsa de Nova Iorque, um movimento que sinaliza a intenção da companhia de concentrar esforços no mercado doméstico e reduzir custos operacionais. A notícia impactou imediatamente os títulos negociados nos Estados Unidos, que registraram queda de cerca de 3,5%, embora a empresa ainda não tenha divulgado o cronograma para a conclusão desse processo.
Além da saída do mercado norte-americano, a Cosan também comunicou o encerramento das atividades da subsidiária Radar II Propriedades Agrícolas, responsável por participações em imóveis rurais administrados pelo Grupo Radar. Com a extinção da marca, o patrimônio avaliado em mais de R$ 2,5 bilhões será incorporado diretamente pela Cosan, eliminando estruturas intermediárias e promovendo uma gestão mais enxuta e eficiente.
No âmbito da governança, a companhia passa por uma reestruturação relevante. O diretor financeiro e de relações com investidores, Rafael Bergman, e a vice-presidente jurídica, Maria Rita de Carvalho Drummond, estão deixando seus cargos. Para o posto de CFO, foi nomeado José Cezário Menezes de Barros Sobrinho, ex-Vamos, que também assumirá a área jurídica. Essas mudanças reforçam o compromisso da Cosan em buscar maior eficiência e transparência em sua gestão.
O contexto dessas decisões é desafiador. Desde o início do ano, a Cosan perdeu quase 40% de seu valor de mercado, reflexo direto da insatisfação dos acionistas e do elevado nível de endividamento. Atualmente, as ações da empresa são negociadas na B3 em torno de R$ 3,30, o que representa um valuation de R$ 13,1 bilhões — valor significativamente inferior ao pico registrado em 2021, quando a companhia chegou a valer quase dez vezes mais.
O principal fator de pressão sobre a Cosan é sua alavancagem financeira, que ultrapassa R$ 9 bilhões, segundo o último relatório divulgado. O peso das dívidas limita a capacidade de investimento e distribuição de resultados, tornando a busca por eficiência operacional e simplificação de estruturas uma necessidade urgente para a companhia.
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