Plano visa economia de R$ 2,1 bi e reestruturação para enfrentar déficit de R$ 9 bi em 2025
Os Correios anunciam reabertura do Plano de Demissão Voluntária (PDV)
Os Correios anunciaram a reabertura das inscrições para o Plano de Demissão Voluntária (PDV), uma iniciativa estratégica que pode resultar na saída de até 10 mil funcionários já em 2026. A medida integra um robusto plano de recuperação financeira, essencial para conter prejuízos recorrentes e reequilibrar as contas da estatal após anos de resultados negativos. O PDV é apontado pela direção como uma das principais frentes de redução de despesas, alinhando-se à estratégia traçada desde dezembro passado. A expectativa é que até 15 mil empregados deixem a companhia até 2027, sendo 10 mil neste ano e outros 5 mil no próximo, em um movimento que visa enxugar a folha de pagamento e aumentar a eficiência operacional.
Impacto financeiro e projeções
Com a adesão ao PDV, os Correios projetam uma economia anual de aproximadamente R$ 2,1 bilhões em despesas com pessoal. Os desligamentos previstos para este ciclo devem ser concluídos até o fim de maio, enquanto as inscrições para o PDV 2026 permanecem abertas até 31 de março. A estatal reforça que a participação é totalmente voluntária, seguindo critérios de elegibilidade que priorizam funcionários com maior tempo de casa e histórico recente de remuneração. Essas regras buscam equilibrar o impacto financeiro do programa com a preservação de áreas estratégicas para a operação.
Critérios para adesão ao PDV
Para participar do plano, o funcionário precisa ter pelo menos 10 anos de efetivo exercício nos Correios, ter recebido remuneração por pelo menos 36 meses nos últimos 60 meses e ter menos de 75 anos na data prevista para o desligamento. A seleção criteriosa visa garantir que o enxugamento do quadro não comprometa setores essenciais da empresa.
Fechamento de agências e reestruturação
Além do PDV, os Correios planejam fechar cerca de mil agências consideradas deficitárias, medida que, combinada ao redesenho da malha logística, também deve gerar uma economia estimada em R$ 2,1 bilhões. Apesar dessas ações, a situação financeira da estatal permanece delicada, com expectativa de déficit em torno de R$ 9 bilhões em 2025 e possibilidade de prejuízo ainda maior em 2026. Segundo a presidência da empresa, o retorno ao lucro só deve ocorrer a partir de 2027.
Déficit estrutural e desafios do setor
O plano de ajuste busca reverter uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízo. Atualmente, os Correios enfrentam um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, atribuído principalmente ao custo da universalização do serviço postal, especialmente em regiões remotas e de baixa rentabilidade. Para enfrentar esse cenário, a estatal aposta em uma combinação de cortes, captação de recursos e diversificação de receitas.
Outras frentes do plano de recuperação
O plano estratégico dos Correios inclui ainda a contratação de empréstimos vultosos, revisão dos planos de saúde, novas parcerias e diversificação de atividades, venda de ativos e imóveis, além de investimentos em modernização tecnológica e consultorias para revisão do modelo organizacional. O conjunto dessas medidas evidencia o esforço necessário para reverter a crise financeira e garantir a sustentabilidade da estatal nos próximos anos.
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