Lucro recua por efeitos não recorrentes, mas receita cresce 9,3% em 2025 com recuperação do ensino superior
A Cogna (COGN3) apresentou um desempenho financeiro que chama atenção no quarto trimestre de 2025, ao registrar um lucro líquido de R$ 220 milhões.
Embora o número represente uma queda significativa em relação aos R$ 925,8 milhões do mesmo período de 2024, é fundamental analisar o contexto: o resultado do ano anterior foi impulsionado por efeitos não recorrentes, especialmente reversões de contingências tributárias ligadas a processos de imposto de renda sobre ágio, que inflaram o resultado financeiro de 2024.
No acumulado de 2025, o lucro líquido da Cogna (COGN3) somou R$ 625,5 milhões, abaixo dos R$ 879,9 milhões registrados em 2024. Esse recuo, embora relevante, reflete a normalização dos resultados após eventos extraordinários do ano anterior, e não necessariamente uma piora estrutural do negócio.
Receita em alta com recuperação do ensino superior
Apesar da queda no lucro, a receita líquida da Cogna mostrou resiliência e crescimento. No quarto trimestre, atingiu R$ 2,2 bilhões, alta de 1,9% na comparação anual. No acumulado do ano, a receita chegou a R$ 7,02 bilhões, avanço de 9,3%. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pela recuperação das operações de ensino superior, além do bom resultado das unidades de educação básica e conteúdo educacional. A empresa atribui esse avanço à evolução do portfólio de negócios, maior eficiência operacional e à melhoria da experiência do aluno, fatores que reforçam a estratégia de longo prazo da companhia.
Ebitda recorrente e margens sob pressão
O Ebitda recorrente da Cogna totalizou R$ 769,1 milhões no trimestre, queda de 2,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda também recuou, passando para 34,9%, uma diminuição de 2,7 pontos percentuais. Segundo a companhia, o crescimento mais forte de negócios com margens menores, especialmente no ensino superior presencial, contribuiu para a diluição da margem consolidada. Vale destacar que, no quarto trimestre de 2024, houve uma reversão de provisão de contingências de R$ 35 milhões na Kroton. Sem esse efeito, o Ebitda recorrente da unidade teria apresentado crescimento de 3,2% no quarto trimestre de 2025.
No resultado financeiro, a Cogna registrou prejuízo de R$ 179,4 milhões no trimestre, revertendo o saldo positivo de R$ 13,5 milhões do mesmo período de 2024, quando a companhia se beneficiou de ganhos tributários não recorrentes.
Redução da alavancagem e disciplina financeira
Um ponto positivo do balanço foi a redução da alavancagem. A dívida líquida da Cogna encerrou o trimestre em R$ 2,8 bilhões, uma queda de R$ 44,9 milhões em relação ao ano anterior. A relação dívida líquida/Ebitda recuou de 1,35 vez para 1,21 vez, mesmo após a companhia realizar alocações relevantes de capital, como o pagamento de R$ 120 milhões em dividendos, recompra de ações e aquisição de participação na Vasta. Esse movimento reforça o compromisso da empresa com a disciplina financeira e a geração de valor para o acionista.
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