Operação de R$ 1,75 bi reforça presença da Claro em fibra ótica no interior de SP e impacta mercado
A aquisição da Desktop (DESK3) pela Claro marca um novo capítulo no mercado de internet via fibra ótica no interior de São Paulo, com impactos relevantes para investidores e para o setor de telecomunicações brasileiro.
A operação, que vinha sendo especulada há meses e foi confirmada em março, só teve seu desfecho nesta quinta-feira (1º), após o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Contexto e estratégia de mercado
A Desktop (DESK3) , reconhecida por sua atuação regional e capilaridade no interior paulista, agora passa a integrar o portfólio da Claro, gigante das telecomunicações. O movimento reforça a estratégia da Claro de ampliar sua presença no segmento de fibra ótica, especialmente em mercados regionais onde a competição é acirrada e a demanda por banda larga de alta velocidade segue em expansão. Para a Desktop, a transação representa não apenas uma mudança de controle, mas também a perspectiva de sinergias operacionais e acesso a uma estrutura de capital mais robusta.
Detalhes financeiros e estrutura da operação
O negócio foi fechado por R$ 1,75 bilhão, envolvendo a compra de cerca de 84,6 milhões de ações ordinárias, ao preço de R$ 20,63 por ação. Essas ações representavam 72,83% do capital social da Desktop e estavam distribuídas entre diversos acionistas, incluindo o fundador Denio Alves Lindo. No entanto, o valor efetivamente desembolsado no fechamento foi de R$ 1,61 bilhão, ou R$ 19,12 por ação, com parte do montante retido em contas de garantia para ajustes futuros. Esse ajuste reflete práticas comuns em grandes operações de M&A, visando mitigar riscos e assegurar o cumprimento de condições contratuais.
Impacto para o mercado e acionistas
Com a conclusão da aquisição, a Claro promoveu uma renovação no Conselho de Administração da Desktop e anunciou a intenção de lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para as ações ainda em circulação no mercado. A regulação brasileira exige essa oferta quando há mudança de controle, garantindo tratamento equitativo aos acionistas minoritários. Além disso, a Claro sinalizou que pretende converter o registro da Desktop junto à CVM da categoria A para B, o que implica a saída da empresa do Novo Mercado da B3 e o fim da negociação de suas ações em bolsa.
Perspectivas e próximos passos
Embora a Claro tenha anunciado o plano de OPA para retirada da Desktop da B3, a empresa também deixou aberta a possibilidade de rever essa decisão, sem detalhar os fatores que poderiam motivar tal mudança. Para os investidores, o cenário aponta para uma janela de liquidez com condições alinhadas ao valor pago no acordo bilionário, mas também para o encerramento de uma trajetória de capital aberto da Desktop.
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