Oferta inclui debêntures conversíveis e quirografárias para fortalecer caixa e alongar dívida
O Conselho de Administração da Casas Bahia (BHIA3) aprovou uma nova oferta pública de debêntures, marcando um passo estratégico dentro do seu Plano de Transformação da Estrutura de Capital.
A operação, que pode movimentar até R$ 3,95 bilhões, está estruturada em até quatro séries distintas, cada uma com características específicas para atender diferentes perfis de investidores e necessidades da companhia.
Estrutura da Oferta e Objetivos
As séries 1 e 4 serão compostas por debêntures com garantia real e não conversíveis em ações, oferecendo maior segurança aos investidores mais conservadores. Já as séries 2 e 3 trazem um perfil mais arrojado: são debêntures quirografárias, ou seja, sem garantia real, mas com possibilidade de conversão em ações ordinárias. Essa flexibilidade pode atrair investidores interessados em potencial participação acionária futura.
O volume máximo da primeira série foi fixado em R$ 437,472 milhões, enquanto a quarta série poderá chegar a R$ 145,824 milhões. Segundo a Casas Bahia, os recursos captados serão direcionados principalmente ao reperfilamento do passivo da décima emissão e ao fortalecimento do caixa, reforçando a liquidez e a capacidade de enfrentar desafios financeiros no curto e médio prazo.
Conversibilidade e Direitos dos Acionistas
Um ponto de destaque está na conversibilidade das debêntures das séries 2 e 3. Ambas poderão ser convertidas em ações ordinárias na proporção de uma ação por título, com preço de emissão fixado em R$ 3,71, valor calculado pelo VWAP dos 90 pregões anteriores. Os acionistas atuais terão direito de prioridade na subscrição dessas séries, o que pode diluir menos o capital dos atuais controladores e oferecer oportunidades de reforço de posição.
A segunda série terá conversão obrigatória no vencimento, em até 30 meses, ou antecipadamente, com possibilidade de conversões trimestrais a pedido dos titulares. Já a terceira série permite conversão facultativa, conforme decisão individual do investidor, ampliando a flexibilidade e o apelo para diferentes estratégias de alocação.
Contexto Financeiro e Perspectivas
A decisão de reforçar o caixa e alongar o perfil da dívida ocorre em um momento desafiador para a Casas Bahia (BHIA3). No terceiro trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 496 milhões, um aumento de 34,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, pressionada principalmente pelo crescimento das despesas financeiras. Apesar disso, o Ebitda ajustado apresentou avanço de 19,6%, totalizando R$ 587 milhões, sinalizando resiliência operacional mesmo diante do cenário adverso.
Análise de Mercado
A oferta de debêntures, especialmente com opções de conversibilidade, pode ser vista como uma estratégia para atrair capital novo sem pressionar excessivamente o endividamento tradicional. Ao mesmo tempo, oferece aos investidores a possibilidade de se posicionar em um eventual ciclo de recuperação da empresa, caso as medidas de reestruturação surtam efeito.
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