Pressão financeira e vencimentos concentrados em 2026 aumentam incertezas para investidores e mercado
Braskem sob pressão: rebaixamento de rating e risco de inadimplência
A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, enfrenta um cenário de forte pressão financeira que acende alertas em todo o mercado de crédito. O recente rebaixamento de sua nota pela agência Fitch Ratings, de ‘CCC+’ para ‘CC’, reflete uma deterioração significativa na percepção de risco da companhia. Esse novo patamar de classificação indica que a possibilidade de inadimplência deixou de ser remota e passou a ser uma preocupação concreta para investidores e credores.
O principal fator para esse movimento negativo é a incerteza quanto à capacidade da Braskem de honrar compromissos relevantes já no início de 2026. Em janeiro, a empresa terá que desembolsar cerca de US$ 130 milhões apenas em pagamentos de cupons de títulos internacionais, além de enfrentar uma agenda concentrada de vencimentos ao longo do mês. Entre os compromissos, destacam-se títulos com vencimento em 2028, 2031, 2081, além de notas para 2030 e 2050, todos exigindo desembolsos em datas próximas.
Apesar de um caixa reportado de US$ 1,3 bilhão em setembro de 2025, a flexibilidade financeira da Braskem está cada vez mais restrita. O uso integral da linha de crédito standby de US$ 1 bilhão em outubro de 2025 evidencia a dependência crescente de recursos bancários e do próprio balanço, sinalizando que a geração de caixa operacional não tem sido suficiente para cobrir as obrigações. Esse quadro de liquidez pressionada eleva substancialmente o risco de inadimplência no curto prazo, como destacou a Fitch em seu relatório.
O risco de uma reestruturação forçada de dívidas ganha força diante desse contexto. A contratação de consultores financeiros pela Braskem é interpretada como um movimento preparatório para medidas drásticas, que podem incluir renegociação de passivos ou até mesmo recuperação judicial. Para os detentores de títulos e acionistas minoritários, o cenário é de incerteza e potencial perda de valor.
O ambiente externo também não favorece a companhia. O setor petroquímico global enfrenta spreads deprimidos, dificultando a recuperação do fluxo de caixa e tornando o acesso a novos financiamentos mais caro e restrito, especialmente com o rating em patamar especulativo.
No meio desse turbilhão, a governança da Braskem permanece sob escrutínio, especialmente diante da proposta de aquisição por um fundo assessorado pela IG4. A Fitch sinalizou que, caso a transação avance, a nova estrutura de capital e governança será reavaliada. Entretanto, enquanto não houver um plano de financiamento robusto e confiável, a desconfiança deve continuar pressionando as ações Braskem (BRKM5) na B3.
O rebaixamento para ‘CC’ coloca a Braskem em uma zona de alto risco especulativo, onde qualquer falha nos pagamentos de janeiro pode desencadear processos de renegociação agressiva ou até recuperação judicial. Para investidores atentos ao setor, acompanhar de perto os desdobramentos é fundamental para avaliar riscos e oportunidades.
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