Contrato para aquisição de polos na Bacia Potiguar é encerrado unilateralmente pela Brava Energia
Azevedo & Travassos (AZEV3) enfrenta novo revés no mercado de energia ao comunicar, nesta quinta-feira, o encerramento unilateral do contrato para aquisição dos polos Porto Carão e Barrinha, localizados na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.
A decisão partiu da 3R Potiguar, subsidiária da Brava Energia Brava Energia (BRAV3), que alegou o vencimento do prazo-limite contratual (Longstop Date) e o não cumprimento de condições essenciais para o fechamento do negócio, mesmo após prorrogações e negociações intensas entre as partes.
Contexto e impacto do rompimento
O acordo, firmado em fevereiro de 2025, previa a aquisição dos ativos pela Azevedo & Travassos (AZEV3) Petróleo, em parceria com a Petro-Victory Energy e suas afiliadas. A expectativa era de fortalecer a presença da companhia no setor de óleo e gás, ampliando sua atuação estratégica. No entanto, a rescisão surpreendeu a Azevedo & Travassos, que até a véspera trabalhava para concluir a operação ainda em setembro, após uma extensão do prazo para 21 de setembro de 2026.
Negociações avançadas e impasse
Segundo a empresa, as tratativas seguiam em ritmo acelerado, com discussões diárias sobre ajustes financeiros e questões regulatórias junto à ANP. Em 2 de setembro, a Brava Energia chegou a aprovar cálculos de ajuste por e-mail, sinalizando avanço. Contudo, no dia seguinte, a primeira comunicação de intenção de rescisão foi enviada, gerando contestação imediata da Azevedo & Travassos, que afirmou estar preparada financeiramente e tecnicamente para cumprir todas as exigências do contrato, inclusive a garantia de descomissionamento dos campos.
Produção dos campos e desafios operacionais
Um fator determinante para o atraso e, consequentemente, para a ruptura do acordo, foi a queda acentuada na produção dos campos desde setembro de 2025. A interdição da ANP, motivada por falhas de segurança operacional da Brava, reduziu drasticamente a receita dos ativos, impactando o valor percebido e dificultando o financiamento da operação. Mesmo com promessas de retomada, a produção só começou a se recuperar em meados de 2026, atingindo apenas 20% do esperado em julho, o que agravou a percepção de risco e inviabilizou o fechamento do negócio.
Estratégia e próximos passos
Apesar dos obstáculos, a Azevedo & Travassos reforça que cumpriu todas as obrigações contratuais e agora avalia medidas para preservar seus direitos e interesses. O episódio evidencia os desafios do setor de óleo e gás no Brasil, especialmente em operações que dependem de múltiplos agentes, regulações rigorosas e condições de mercado voláteis.
Venda do controle da Verde Alagoas Ambiental
Em paralelo ao anúncio do rompimento, a Azevedo & Travassos comunicou a assinatura de um contrato para venda do controle da Verde Alagoas Ambiental por R$ 21 milhões. A concessionária de saneamento atua em 27 municípios de Alagoas, e parte do valor ficará retida para eventuais contingências. Os recursos serão direcionados para novos investimentos, alinhados à estratégia da companhia de consolidar-se como plataforma de infraestrutura.
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