Gestora busca reestruturação após dívidas de R$ 985 milhões afetarem ativos como CVC e Apex Malls
A crise financeira que atinge a Apex Partners, uma das gestoras de investimentos mais conhecidas do Brasil, ganhou novos contornos com o recente pedido de pré-recuperação judicial.
A empresa, que administra uma carteira diversificada de fundos e possui participações relevantes em ativos como a CVC (CVCB3) e o fundo imobiliário Apex Malls (APXM11), busca proteção contra dívidas que já ultrapassam R$ 985 milhões.
Contexto e Motivações do Pedido
O pedido de pré-recuperação judicial protocolado pela Apex Partners representa uma tentativa de ganhar fôlego para renegociar obrigações financeiras e evitar um colapso imediato. O documento enviado à Justiça solicita um prazo de 30 dias para que a gestora possa reestruturar suas finanças e retomar o pagamento aos credores. Caso a solicitação seja aceita, todos os débitos vencidos nas próximas semanas poderão ser renegociados sob a proteção de um processo de recuperação judicial formal.
Mudanças na Liderança e Auditoria Externa
A turbulência interna já provocou mudanças significativas na liderança da Apex. O fundador Antonio Kulning Cinelli e o CFO Eduardo Siqueira deixaram seus cargos, sinalizando uma tentativa de renovação e ajuste de rota. A nova gestão anunciou a contratação de uma auditoria externa para investigar as inconsistências financeiras que vieram à tona recentemente, reforçando o compromisso com a transparência e a governança.
Aceleração do Endividamento e Estrutura da Dívida
Nos últimos 18 meses, a Apex viu seu endividamento mais que dobrar, reflexo de uma gestão financeira pressionada por desafios de mercado e decisões estratégicas. Apenas no primeiro semestre de 2026, a empresa contraiu cerca de R$ 300 milhões em novos débitos, sendo que a maior parte da dívida está concentrada na emissão de debêntures, que já somam mais de R$ 450 milhões. O cenário evidencia a necessidade urgente de reestruturação para evitar consequências ainda mais graves para investidores e credores.
Impacto nos Ativos e no Mercado
A crise da Apex Partners já se reflete diretamente em seus principais ativos. O fundo imobiliário Apex Malls (APXM11), responsável por parte do Shopping Vitória, acumula um prejuízo de 42% desde o início do ano, segundo dados da B3. Além disso, a participação de 15% na CVC (CVCB3) coloca a gestora em posição delicada, já que a própria CVC enfrenta dificuldades na bolsa de valores.
Reação do Mercado e Medidas de Proteção
O impacto da crise não passou despercebido pelos grandes players do mercado. O BTG Pactual, um dos principais bancos de investimentos do país, rescindiu contratos com a Apex e bloqueou saques no FIDC BRM Carbyne Crédito Estruturado, fundo que administra cerca de R$ 148 milhões. A medida foi tomada após pedidos de resgate superarem a liquidez disponível, evidenciando o clima de incerteza e a busca por proteção diante do risco de calote.
Perspectivas e Análise
O caso da Apex Partners serve de alerta para o mercado de gestão de ativos no Brasil, ressaltando a importância de uma governança sólida e de mecanismos de controle de risco. Investidores e credores acompanham de perto os desdobramentos, atentos às oportunidades e ameaças que podem surgir deste processo de reestruturação.
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