A origem da companhia é basicamente simples. Após comprar uma fazenda na cidade de Paranapanema, a 260 km de São Paulo, Aloysio Ramalho Foz se reuniu com mais dois empreendedores, José Carlos de Araújo – seu pai – e Octávio Cavalcante Lacombe, para fundar a empresa, em maio de 1961.

A princípio, a iniciativa era focada no ramo da construção civil de fábricas e empreendimentos maiores, mas o cenário de mineração chamou a atenção dos empresários ao decorrer dos anos.
Assim, em 1965, a sociedade adquiriu a Minebra (Minérios Brasileiros, Mineração e Industrialização Ltda) e deu início, de fato, às operações de mineração.
No ramo da mineração, o foco principal era extração e refino do minério de estanho, que ganhou força tanto na empresa quanto no cenário nacional, em 1969, com a descoberta do elemento químico na região amazônica.
Para diversificar os investimentos, ainda em 1969, a empresa constituída pelos 3 empreendedores paulistas, comprou uma fazenda em Igarapé Preto e outra em São Francisco, na bacia hídrica do rio Amazonas.
A primeira aquisição criou o braço minerador do conglomerado empresarial, com foco na extração de estanho que, mais tarde, se tornou destaque nas atividades do grupo, até meados de 1980.
Aumentando a proporção
Com a chegada da década de 70, dois anos após o início das operações, o grupo participou da construção da rodovia Transamazônica, em 1971.
Por conta do crescimento acentuado, a empresa abriu o capital no mesmo ano e, através da rodada de investimentos, adquiriu duas novas empresas: Taboca e Mamoré – ambas do segmento de mineração do minério de estanho.

Em 1974, o BNDES adquiriu a vertente mineradora para fins de desenvolvimento técnico na área de mineração. Com a chegada dos anos 80, a empresa virou um case de sucesso na Bovespa e apresentou ótimos resultados operacionais, apesar do cenário econômico brasileiro, na época, não ser dos melhores.
A abertura de capital foi realizada em 1971, mas o registro na CVM ocorreu apenas em 1977. A partir disso, a empresa começou a apresentar retornos interessantes, que chamaram a atenção do cenário investidor no Brasil.
No início de 1981, o grupo empresarial cresceu vertiginosamente na Bolsa de Valores e, em 1982, a companhia iniciou os projetos de mineração e extração em Pitinga (AM). Com isso, aumentou a geração de caixa recorrente da Taboca mineradora e construiu um sistema autossustentável de renda por meio da mineração.
Crescimento acentuado
Apesar de se estabelecer no ramo minerador, por meio da Mineradora Taboca e Mamoré Metalurgia, a companhia não abandonou o ramo de construção civil.
Prova disto foi, em 1983, a edificação de duas fábricas de empresas controladas pela Vale: a fábrica de alumínio da Albrás e a mina do Projeto de Ferro Carajás ambas no Pará, norte do Brasil – que começaram a apresentar grande notoriedade.

No mesmo ano, Taboca iniciou uma sociedade com o ainda iniciante Eike Batista, na sua primeira mina de extração de ouro, aumentando a exposição e diversificação por meio de uma parceria extrativista.
Sucessivamente, em 1995, uma parte do grupo passou a ser controlada pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (PREVI). A ação fez a empresa iniciar no segmento de cobre.
Além do cobre, o PREVI trouxe para o portfólio diversos negócios, como o ramo de seguridades, coleta de lixo e produção de petróleo por meio da ATP Petróleo S.A.
No ano seguinte, o crescimento do grupo começou a se intensificar. Grande parte do crescimento foi espelhada em duas aquisições: Caraíbas Metais e Eluma, em 1996.
Nesse sentido, a empresa abraçou o ramo da mineração por meio de duas marcas que constituem o grupo até hoje. Neste aspecto, o papel da Caíbas e da Eluma foi fundamental, pois, além da produção, o grupo também faz parte da comercialização do produto final, viabilizando o modelo de negócios que hoje conhecemos.
Início do que conhecemos como Paranapanema
Apesar da Paranapanema já existir naquele tempo, a empresa – como a conhecemos hoje – só se consolidou em 1996. Para isso, o conglomerado abandonou a construção civil, coleta, seguridades e petróleo e focou unicamente na mineração, extração e refino de minerais de cobre, zinco e estanho.
Com a saída dos ramos de atuação paralelos, a empresa chamou atenção de um grupo de pensionistas que fez a aquisição do controle acionário da empresa e passou a controlar a Mineração Taboca e a Mamoré Mineração e Metalurgia.
Tal movimento deu origem a Paranapanema S.A, destinada única e exclusivamente para a produção de metais não ferrosos através do controle acionário na forma de uma empresa de participações.

Então, a marca Paranapanema passou a ser uma holding, sem atividade operacional, concentrando os investimentos no nicho de metais não ferrosos. Na época, o grupo de participações era constituído por 5 empresas que detinham o controle acionário, sendo elas:
- Mineração Taboca S.A (Estanho);
- Mamoré Mineração e Metalurgia Ltda (Estanho);
- Companhia Paraibuna de Metais (Zinco);
- Caraíbas Metais S.A (Cobre);
- Eluma S.A Indústria e Comércio (Produtos de Cobre);
Apesar de o grande conglomerado denominado Paranapanema ser rentável, a decisão de abandonar as demais áreas veio alguns anos depois.
Na virada da década, a holding viu maior potencial no ramo do cobre e, assim, vendeu suas participações nos demais negócios.
Em 2002, a Companhia Paraibuna de Metais deixou de fazer parte do portfólio acionário da holding e, em 2008, foi a vez da Mineração Taboca S.A e Mamoré Mineração e Metalugia Ltda deixarem o portfólio da empresa.
Reta final
Após o desmembramento de posições acionárias nos anos anteriores, em 2009, a Paranapanema começou a tomar forma. No ano seguinte, em 2010, a empresa deixou de ser uma holding através de um intenso processo de reestruturação societária, mudando a sede para Dias D’Ávila (BA) e saindo de São Paulo.
Dois anos após a reestruturação, a Paranapanema adquiriu a Cibrafértil, em setembro de 2012. Com a aquisição, e empresa deu início aos trabalhos de refino, oferecendo produtos derivados do cobre, latão e bronze, aumentando a capacidade produtiva e, consequentemente, os gastos.
Por complicações de gestão, a empresa começou a apresentar problemas orçamentários, dando prejuízo ao longo dos anos 2.000. Dessa forma, para bancar operações básicas, o caixa operacional era queimado e o crédito passou a ser adquirido de forma desgovernada para bancar custos fixos.
O estopim veio cinco anos após a reestruturação acionária, no ano de 2017. Isso porque, a empresa registrou lucro operacional negativo e as dívidas começaram a tomar conta do cotidiano. Apesar do crescimento do setor de mineração no Brasil ser latente, a Paranapanema se encontrava na contramão do restante do mercado.
A virada do avesso
Inegavelmente, o ano de 2017 ficou marcado para a Paranapanema como o início da retomada. Por meio da prorrogação de prazos, com 84% dos credores da companhia, a PMAM3 negociou vencimentos e taxas, além de estabelecer um plano de conversão de crédito em participação na empresa.
A dívida reduziu em 28% e o alongamento de prazos foi bem sucedido, com 94% do montante da dívida bruta. Através de ofertas públicas e restritas de ações e debêntures (mandatoriamente conversíveis em ações) a companhia conseguiu aumentar o fôlego orçamentário e deu início ao processo de retomada.

Dessa forma, em 2018, a reestruturação passou para a parte operacional. Houve, portanto, uma parada programada em maio, além dos investimentos em CAPEX e modernização das fábricas que estavam defasadas.
Os investimentos que somavam mais de R$ 200 milhões refletiam a reorganização das operações da empresa, por conta de um período turbulento. A terceira e última fase da reorganização foi feita na parte de gestão, reduzindo custos fixos e “enchendo fábricas”.